Imprensa Sindical por Val Gomes

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Dinho Ouro Preto é Bolsonaro 2018?

Em abril de 1964, ao tomar posse e se tornar o primeiro general-presidente do regime militar, Castelo Branco prometeu “restaurar a democracia e libertá-la de quantas fraudes e distorções a tornavam irreconhecível”. Disse mais: a “Revolução de 64” tinha como vocação “a liberdade democrática, governo da maioria com a colaboração e respeito das minorias”. Como sabemos, o Brasil viveu 21 anos de uma ditadura baseada na privação das liberdades e dos direitos democráticos, na repressão e na tortura, na corrupção e no endividamento. Tudo para “restaurar a democracia”.

É muito provável que Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, tenha se inspirado nas viúvas de Castelo Branco e do regime militar para falar tantas asneiras no encerramento Rock in Rio 2017. Passados 32 anos do fim da ditadura, o vocalista falou novamente em ameaça à ordem democrática e pediu um “fora todos”. Detonou “políticos de esquerda, centro e direita, de Aécio a Dilma, Eduardo Cunha, Sergio Cabral”. Segundo o vocalista, “é uma lista longa que sequestrou a democracia brasileira”.

De duas, uma: ou Dinho Ouro Preto virou uma anarquista e defende a destruição do Estado brasileiro, ou a aderiu à campanha Bolsonaro Presidente 2018. A razão: resgatar a democracia “fraudada”, “irreconhecível”, “sequestrada”. Renato Russo e a Legião Urbana cantavam a música-denúncia “Que País É Este?” com ironia e abrangência , sem dar nomes, expondo as mazelas estruturais e a herança patrimonialista da sociedade brasileira. Quando uma canção desse vigor cai nas mãos de um Dinho Ouro Preto, o que sobressai é o oportunismo, a incompreensão, a trapaça. Muito triste!

André Cintra
jornalista
Assessor de Comunicação da Fitmetal

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  • Acho que Dinho se perdeu em suas ideias, está confuso com as drogas que usa. Quem é Dinho nunca vai ser Renato Russo. Começa apoiando Moro dizendo que ele é “o cara” que entregou a corja do PT e depois apoia Haddat. Seria mais digno que ficasse neutro ou estudasse para entender melhor que Bolsonaro não é ditador, apenas é a favor da ordem. Mas ficou preso a ideia de”não ditadura” sendo que o próprio Renato deixava claro que acabou a ditadura.